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almanaque de ironias menores

caderno de exercícios avulsos e breves, por serôdio d’o. & 3ás 

28.2.06


lugares do corpo, iv. raramente o corpo se suspende para além da sua condição. 3.

imagem © robert e shana parkeharrison

referência

27.2.06


pretérito mais do que perfeito, viii

antes abundavam palavras
como patomima e arlequim
e o corpo resumia-se preciso
nas mãos, no seu produto e no
engano em que essas mesmas mãos
ainda se confirmavam corpo. s. d’o.

referência

25.2.06


nova idade, ix. por mais intensos que sejam os ritmos e os trânsitos na modernidade, qualquer tempo é ainda e simultaneamente um lugar e uma distância. 3.

referência

24.2.06


marcadores de ontologia, ii.

se o ser fosse, apenas fosse,
como uma natureza morta é, por
que é que se perguntaria?, por
que é que admitiria o lapso, mais
do que a oportunidade, de o seu
preenchimento realizar-se por algo
diferente de si?, a seriedade. a
resposta talvez seja esta: porque
o ser é sobre um plano e, aí, porque
perscruta a respectiva posição,
acontece como sobressalto e dúvida,
acontece interrogação, interrogador
e interrogado. s. d’o.

referência

23.2.06


nova idade, viii. há uma constante nos diversos lugares-tempos - a transcendência imanente - que produz um halo simbólico sobre o que é. na modernidade, porém, esse halo é caleidoscópico e produz um efeito catalítico, acelerando o tempo sobre o lugar. 3.

referência

22.2.06


vestígios de eternidade

podemos descobrir os resíduos do que passou
ainda sobre as tábuas. é por isso a urgência
do último leilão e das cinzas, a queima
das provas. provas para quê?, se são motivo
da dissolução do momento, do eterno instante
presente. começou a vertigem! e a memória
entorpece o ritmo, a descoberta, a novidade.

porque não há retorno, escreve-se, grava-se.
é um modo de provocar o esquecimento, mas é também
um modo de permitir que, depois, alguém coloque
as mãos nas cinzas e reinaugure o que foi. s. d’o.

referência

21.2.06


nova idade, vii. em qualquer lugar-tempo novo há chão e há caminhos. às vezes escolhe-se, ir por ali, ir por acolá, ficar ou regressar. e acontece o encontro, a fuga, a saudade. 3.

referência

20.2.06


index

pés cansados e sujos, a
felicidade clandestina.
sábado.

dorso nu. don’t ask me.
traços de cocaína sobre
um espelho. cartas sobre
a mesa. festa. batota.

coisas e vozes. uma ecografia
de dor. uma ecografia de sombra.
zarzuela. mazurca. sarabanda.
melancolia. orgia de sentidos,
sopros. espectros.

entretanto, há quem comece a discutir
a taxa de spread do financiamento
contraído para aquisição de habitação
própria. há vidro que se transforma
em água. o gin esgota-se. a vida,
como a noite, também.

já não há esperança. já não há tabaco.
apenas vozes. continuam. s. d’o.

referência

18.2.06


lugares do corpo, iii. às vezes, na sua brevidade, o corpo suspende-se, para permanecer mais alto, próximo dos olhos. 3.

imagem © jan saudek

referência

17.2.06


um homem perante o seu tempo

procurou a página centoesetentaeum,
marcou-a. feito isto, levantou-se.

afastou-se e olhou para o relógio
sobre o calendário, o calendário
sobre o atlas. a sobreposição
acontecia numa secretária que,
sobre o tampo, nada mais tinha.

lá fora a temperatura era morna. caía
a tarde.

caminhou até à varanda. queria fugir
daqueles agrimensores de tempo, o relógio,
o calendário, o atlas. todos os ritmos
presos, como numa carta de caligrafia
irrepreensível, pareciam vertê-lo
na loucura.

ninguém estava junto dele. mas ele falou.
quando morrer, digo-o agora, quero ir
para cima, não para baixo. desejo ser
cinza, mais breve, pó, largado. não quero
ser amortalhado e baixado ao sepulcro.

e permaneceu na varanda. sons trigueiros
vinham de longe. ouviu ainda o rugido
de uma fera. estava na hora. o circo
começava a ser desmantelado. s. d’o.

referência

16.2.06


lugares do corpo, ii. quando o corpo cresce habita fulgurante a margem do pântano onde o seu suporte caiu. 3.

imagem © barbara scheide

referência

15.2.06


marcadores de ontologia, i

se o ser fosse apenas o corpo
de um lugar, o volume volante
sobre um plano complexo, ordenado
por três eixos, o ser seria ausente
das coordenadas e as coordenadas
não seriam. ou seriam a irredutível
transparência do vazio preenchido,
a sequência das componentes da
totalidade, sem forma. seriam o desenho
do solo virgem, vertigem. seriam
as marcas invisíveis e divisíveis
da clareira. s. d’o.

referência

14.2.06


lugares do corpo, i. onde habita o corpo?, se é sobre um suporte derrubado, como se fosse uma folha de outono caída sobre outra folha caída, caída sobre outra folha caída, caída sobre outra folha caída, caída sobre outra folha caída, caída sobre outra folha caída, caída... até à dissolução. 3.

imagem © barbara scheide

referência

13.2.06


pretérito mais do que perfeito, vii

antes era o mesmo chão,
o mesmo pó, ingrediente
de um só, único corpo. s. d’o.

referência

11.2.06


nova idade, vi. o processo da origem, do que é novo, é a decomposição, não a composição. 3.

referência

10.2.06


pretérito mais do que perfeito, vi

antes o segundo círculo
era o limite da anestesia, o
tempo que entorpecia a
urgência, o purgatório, e nele
o corpo caía solene. s. d’o.

referência

9.2.06


nova idade, v. a modernidade é um lugar-tempo, um território-fluxo implicado não tanto na sua unidade quanto nas suas fronteiras. 3.

referência

8.2.06


pretérito mais do que perfeito, v

antes a terra abria-se
para consumir o sangue
encerrado na superfície,
para o devolver húmus,
alfobre de outro sangue. s. d’o.

referência

7.2.06


nova idade, iv. não obstante seja um lugar-tempo - um domínio, portanto -, a modernidade rasga-se por dentro através dos seus processos e respectivo ritmo. é esse rasgo o indício tanto da sua concretização quanto da sua falência. 3.

referência

6.2.06


pretérito mais do que perfeito, iv

antes do soufllé, as maçãs eram
um símbolo perfeito prometeico, geométrico,
de revelação, de incêndio, de fome,
de vontade. s. d’o.

referência

4.2.06


nova idade, iii. depois do princípio, é a sensação de nostalgia nunca dissoluta que impede a criação da novidade, como que obrigando a uma ausência permanente e presente no mesmo lugar-tempo novo. 3.

referência

3.2.06


pretérito mais do que perfeito, iii

antes era o mesmo ritmo,
o mesmo sopro, um contínuo
entre o interior e o exterior,
sem contaminação, apenas
silêncio, apenas dança, contorno
orgânico sem corpo. s. d’o.

referência

2.2.06


nova idade, ii. a modernidade é um lugar-tempo que se nutre do respectivo horizonte, facto que tende a produzir nesse contexto uma disposição à auto-superação. no entanto, aí, como em qualquer outro lugar-tempo, o fulgor do princípio esgota-se no impulso original. aquando a repetição, a sequência não é exactamente a mesma, porquanto se (re)começa já depois do começo. portanto, sem regressar ao momento primordial, anterior ao princípio. é por isso que a modernidade, enquanto paradigma epocal, não obstante a sua animação elíptica, se reedita e confirma na respectiva ultrapassagem nunca consumada, como se fosse um domínio em regime running to stand still, um cativeiro do qual não se pode sair. 3.

referência

1.2.06


pretérito mais do que perfeito, ii

antes existia uma melancolia
nos monstros que os fazia
indomáveis e sem cerco, apenas
prodígio e prestígio, fatais. s. d’o.

referência

2004/2017 - serôdio d’o. & 3ás (escritos e subscritos por © sérgio faria).