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almanaque de ironias menores

caderno de exercícios avulsos e breves, por serôdio d’o. & 3ás 

31.5.04


de patria diabolorum. onde habita proserpina?, senhora dos círculos e das câmaras do inferno, mãe de todas as fúrias. no colo do único dos amores de um homem. chamar-lhe mulher ou chamar-lhe demónio é indiferente. ambos os nomes são exactos. 3.

referência

29.5.04


estilhaço, i

o que tem a tua ausência?,
a saudade. s. d’o.

referência

28.5.04


catch me if you can. o espelho é um ladrão incapaz. o que cativa também devolve. 3.

referência

27.5.04


irmãos pela morte

uma melodia, o ritmo ausente, uma porta
apenas para o erro. um veículo
para o destino a que a partida
os resgatou. um passo, um
compasso. o disfarce. a espera, o
regresso. a fuga, a procura do desencontro.
o acaso, o reencontro, um recontro. a
perseguição. a falência, o prenúncio.
os corpos irmãos separados, mas
vizinhos. cada um numa urna, cada um
numa vala comum. a morte. s. d’o.

referência

26.5.04


cromo in excelsis. há noites em que a magnificiente glória se escreve a uma só cor, azuli branco. 3.

referência



comédia boulevard. diógenes laércio refere três versões sobre o que causou a morte de diógenes, o cínico. a causa da morte de diógenes ou foi uma congestão provocada pela ingestão de um polvo cru, ou foi uma infecção provocada pela dentada de um cão num pé durante uma disputa de um polvo com o canídeo, ou foi a asfixia por suspensão deliberada da respiração. ora, havendo dúvidas sobre como diógenes morreu, o que é que se pode dizer sobre ele? que viveu solto. 3.

referência

25.5.04


capítulos de uma geografia dos medos, x
ausência

começa por se enunciar o verbo, o
golpe do princípio, para nunca
se fazer a noite sobre o chão. abertas
as janelas, a luz é onde a fome
se consola e embala contra o
corpo, caindo para si, vazia. pois é
daí, dessa ausência, dessa ausência
própria de si, que promana
a vida e quantos alcances ela tem
e atinge. s. d’o.

referência

24.5.04


t(r)oy story. em troy, celulóide realizado por wolfgang petersen, vê-se aquiles morrer. seria necessário? ou, como na ilíada, era suficiente a sugestão da sua morte? 3.

referência

22.5.04


o pão que mata

a fome é o único pão que há.
tarde, trazes-te à sorte. convidas-te
à morte. para te fazeres forte e
alimento em que consomes a solidão.
pois pão, mesmo o da fome, já não
há. e cais no chão. s. d'o.

referência

21.5.04


quem és tu?

um olho com vista sobre ti. por maurits cornelis escher, vulgo m. c. escher, artista canhoto. 3.

referência

20.5.04


variações ligeiras sobre sombras e outros demónios, iv. os homens tatuam facilmente as mulheres no corpo e sofrem-nas. s. d’o.

referência



variações ligeiras sobre sombras e outros demónios, iii. o dinheiro liberta-nos das coisas, não dos outros ou dos demónios que nos são íntimos, nós-mesmos. s. d’o.

referência

19.5.04


perpetuum mobile. a ironia de francisco sanches é provavelmente o limite da própria ironia. a interrogação quid?, com que termina quod nihil scitur, desvela um mundo condicional, aberto a si próprio e, portanto, sujeito e objecto de transfiguração e transmutação. 3.

referência

18.5.04


eterno retorno

dois corpos mergulham-se na
repetição, como se houvesse
outro começo para eles. e
nesse engano recomeçam-se um
para o outro. condenados. s. d’o.

referência

17.5.04


verdadeiro e verdade. segundo sextus empiricus, conforme testemunhado nos πυρρωνείων ύποτυπώδεων, o verdadeiro e a verdade diferem em três modos, pela substância, pela constituição e pela força. o verdadeiro é um incorporal, a verdade é um corpo. o verdadeiro é algo simples, a verdade é composta, constituída, pelo conhecimento de muitos elementos verdadeiros. o verdadeiro é casual, porque não está em todos os casos, a verdade é permanente, embora num único lugar, a ciência. 3.

referência

15.5.04


if you want blood... o que incomoda na eternidade é a vastidão do tempo. pois não há uma escala simultaneamente ajustada à sua dimensão e à prática que nela possa confirmar a urgência da vida. s. d’o.

referência

14.5.04


a deus. escreveu jean-paul sartre, em l’être et le néant, “o conceito-limite de humanidade (como a totalidade do nós-objecto) e o conceito-limite de deus implicam-se um ao outro e são correlativos”. e implicam-se e são correlativos porquê? porque, ainda segundo sartre, “o homem faz-se homem para ser deus”. na prática, é pela prática que os conceitos-limite se encontram, embora sem sequer se tangerem. 3.

referência

12.5.04


and you give yourself away. o mundo, como composto – ou com posto –, começa no justo ponto onde alguém se devolve a si, onde tu te devolves. s. d’o.

referência

11.5.04


geografia. para sextus empiricus, “o lugar é pensado relativamente ao corpo de que ele é lugar”. o que significa que, no âmbito desta skepsis, o lugar é um domicílio. 3.

referência



variações ligeiras sobre sombras e outros demónios, ii. o corpo é o único lugar onde é possível o perdão. s. d’o.

referência

10.5.04


que é?, pergunta-se. o que é o ciclo cremaster?, cinco filmes, realizados por matthew barney. para além de estranho, é um ensaio onde se explora, através de uma coreografia agressiva e transgressiva, o território do corpo, tornando-o a sequência de uma engrenagem cuja lógica nunca chega a arquitectar-se plenamente. é a experiência de uma fuga para dentro de si mesma, com uma monumentalidade wagneriana, sem um roteiro percebido. sabe-se o cerco, sabe-se a sexualidade, sabe-se a morte. mas é difícil encontrar o princípio, o fim ou o pretexto da fuga. daí que perguntar se o ciclo cremaster é cinema seja conceder a dúvida, seja permitir o convite. talvez, por isso, não exista forma mais adequada de responder à interrogação o que é o ciclo cremaster? 3.

referência

9.5.04


variações ligeiras sobre sombras e outros demónios, i. por que é que os instantâneos terminam tão súbito? s. d'o.

referência

8.5.04


nativo e alternativo. a identidade é o produto de três processos combinados. num primeiro momento, a identidade é o resultado de um processo de demarcação ou de diferenciação. na ausência de qualquer diferenciação, existe apenas uma entidade, o absoluto. depois desta demarcação primordial, a identidade, segundo ricoeur, é preservada por dois dispositivos complementares, a mesmidade e a ipseidade. pela mesmidade a identidade suporta-se no tempo, ou seja, existe duradouramente. pela ipseidade a identidade conserva o contraste em relação à alteridade, isto é, subsiste diferença, condição de ser e ser-se. si-mesmo como outro. e outro como si-mesmo. 3.

referência

7.5.04


a natureza dita assim

a natureza dita assim, princípio
avulso, fornece maior incêndio do
que a fome. e nela todos celebram
a glória de ultrapassar a maré arrastada
das águas, como se houvesse deus abençoado
todos os estados da miséria e neles quisesse
que o homem habitasse. em si. em aproximação
de si. s. d’o.

referência

5.5.04


a revisitação do princípio, ii. em qualquer corpo reside o princípio da visitação e é pelo cumprimento desse princípio que cada corpo se extende para além de si mesmo. s. d’o.

referência



a revisitação do princípio, i. imagine-se, sem necessariamente supor, que eva não foi uma mulher. seria o mundo agora tão diferente em razão desse pormenor? s. d’o.

referência

4.5.04


a paz cansa

a paz cansa, e diz-se. curioso o desastre, curiosa a geometria
da realidade, curioso como me ultrapassas e, em
desejo, te lanças para o acidente, curioso como lá chegaste
primeiro, curioso como não sinto, mas verifico, a tua ausência,
curioso como cair na abundância não é fortuna, mas
ledo fado falso, curioso, o cerco urbano não se levanta
e os desta cidade são cada vez mais capazes de, de cá, fugir.
curioso, wake up death man não é uma valsa. curioso,
a fantasia balança-te nas mãos, confessas a sorte da
morte e, paciente, sorris por te quereres carne
sem troco. curioso, dizes até amanhã, pois a paz cansa.
e ficas para, no outro dia, no dia seguinte, confirmares
essa sentença. s. d’o.

referência

3.5.04


leveza. a leveza das coisas não reside tanto nelas mesmas, mas no seu reflexo. 3.

referência

2.5.04


lugar do silêncio

quando o silêncio diz o teu nome
ninguém sabe o medo melhor do que
tu, pois é no silêncio que, sem
palavras, te dizes. s. d’o.

referência

2004/2017 - serôdio d’o. & 3ás (escritos e subscritos por © sérgio faria).