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almanaque de ironias menores

caderno de exercícios avulsos e breves, por serôdio d’o. & 3ás 

12.8.06


tempos. as coisas eternas têm um tempo. os corpos que são entre tais coisas são os contratempos. 3.

referência

11.8.06


contra oz, ii

o suspiro, a repetição da alma.
carne, carne de carne. não é o mundo,
é o lugar e a posição aí apenas.

é o lugar e aparentemente vaga uma ausência. desço,
breve, até à margem. permanece a ausência,
carne de carne e nada mais.
carne de carne e god has given you but one heart
carne de carne e you are not a home for the hearts of your brothers. *

por instantes o corpo resiste, após é colonizado.
o sal sobre a semente, o sémen sobre o sal, numa
rota pura de devolução, em círculo. o corpo ao mar,
ao fundo do mar. e o voo e as mãos, em pélago,
a desatarem as constelações e a ensaiarem uma
coreografia de regresso ao princípio. o suspiro,
a mesma culpa. s. d’o.

* estes dois versos são parte da letra de “as i sat sadly by her side”, tema incluído no álbum no more shall we part (mute records, 2001), de nick cave & the bad seeds.

referência

10.8.06


da metafísica. a hipótese da metafísica é inaugurada pela investigação sobre a matéria que constitui o lugar vazio. 3.

referência

9.8.06


contra oz, i

a cidade é a carne que aposta o abrigo,
que aglutina o altar e o precipício,
que vai mil jeitos de marear sobre esta terra.
a cidade é.

a cidade é. é corpo e sopro. fujo, oscilo o modo.
o que é coração é corpo apenas.
o que é corpo é terra apenas.
o que é terra é esta terra apenas.
o que é terra é words that build or destroy
o que é terra é dirt dry, bone, sand and stone. *

a alma traz um jogo de espelhos que
manifesta as ruas. a alma é uma língua
separada das outras línguas. por isso,
aqui, urbano, sou um pêndulo em exercício
litúrgico. e ainda uma dúvida, por que
me dizes amante?, se, só, sou diamante. s. d’o.

* estes dois versos são parte da letra de “promenade”, tema incluído no álbum the unforgettable fire (island records, 1984), dos u2.

referência

8.8.06


da vida. a vida é uma sucessão de presenças no corpo. o que ocupa alguém é sempre o elemento mais recente, o último amor, a última dor, a última fome, a última posse, o último sono, a última vontade. o corpo, sequência de sobreposições e colonizações, esquece rapidamente o que foi antes. o que faz da vida a confirmação permanente do instante presente sobre o instante passado. 3.

referência

7.8.06


senhora da noite

os lugares obedecem a uma carta de luz,
facto que faz da noite um dos exercícios
de descoberta do que está e do que nos acompanha.

na alquimia nocturna que conheço, há
uma forma branca, que vagueia alada,
como testemunha das armas comuns.
não é uma forma fantasma ou uma patrulha.
é apenas outra coisa, em espectro e volante,
que ao longo dos passos, repetindo-os,
aprendi a tratar por tu.

às vezes quase lhe digo sei que vagas
como um cometa claro, acima, entre
a matéria que faz a noite. sei que caminhas
como os anjos caminham, em plano, e pousas
em todos os telhados, os que guardam abastados
ou modestos
. porém nunca lhe disse tais palavras.

percorro o caminho, ida e volta, em silêncio.
e, ao vê-la traçar a escuridão, sinto-a a prova
e a sombra da superioridade sobre tudo isto,
este lugar. s. d’o.

referência

5.8.06


o regime das urgências. há quem entenda que a morte é o factor de referência e de equilíbrio de cada um de nós. admitindo que é assim, somos para a morte, mas, com e em singularidade, somos antes de a morte nos acontecer. 3.

referência

4.8.06


queda livre

tão desmesurada a terra, assim ela a disse,
e ainda a notam domicílio do pecado,
como se fosse uma forma de consolo
que não conseguimos resgatar do chão
.
acabada de dizer isto, levantou os olhos e
deixou-se cair. s. d’o.

referência

3.8.06


metamorfose. olha-se maria, composição - óleo e carvão sobre tela - de graça morais, datada de milnovecentoseoitentaedois, e é provável acontecer-nos o suspiro do felino que compreende a sua metamorfose, leopardo sobre gente. 3.

referência

2.8.06


regresso

permanece a paisagem que se abandona.
pela sensação de perda dessa paisagem,
o vagar morno do lugar - e a estranheza
que suscita -, a madrugada e o céu lavado
da noite, os ruídos abafados e distantes,
conquista-se a nostalgia que afecta o modo
e o estado.

quando o regresso acontece, já são as saudades
dos semáforos. é a velocidade também. s. d’o.

referência

1.8.06


do mar. o mar é uma das serventia dos fundos. 3.

referência

2004/2017 - serôdio d’o. & 3ás (escritos e subscritos por © sérgio faria).