<body><script type="text/javascript"> function setAttributeOnload(object, attribute, val) { if(window.addEventListener) { window.addEventListener('load', function(){ object[attribute] = val; }, false); } else { window.attachEvent('onload', function(){ object[attribute] = val; }); } } </script> <div id="navbar-iframe-container"></div> <script type="text/javascript" src="https://apis.google.com/js/plusone.js"></script> <script type="text/javascript"> gapi.load("gapi.iframes:gapi.iframes.style.bubble", function() { if (gapi.iframes && gapi.iframes.getContext) { gapi.iframes.getContext().openChild({ url: 'https://www.blogger.com/navbar.g?targetBlogID\x3d6768210\x26blogName\x3dalmanaque+de+ironias+menores\x26publishMode\x3dPUBLISH_MODE_BLOGSPOT\x26navbarType\x3dBLUE\x26layoutType\x3dCLASSIC\x26searchRoot\x3dhttp://almanaque-de-ironias-menores.blogspot.com/search\x26blogLocale\x3dpt_PT\x26v\x3d2\x26homepageUrl\x3dhttp://almanaque-de-ironias-menores.blogspot.com/\x26vt\x3d-2784242289558651308', where: document.getElementById("navbar-iframe-container"), id: "navbar-iframe" }); } }); </script>
almanaque de ironias menores

caderno de exercícios avulsos e breves, por serôdio d’o. & 3ás 

31.3.10




este vazio inteiro que enche a substância que és, que verte
da tua condição a ligação e a interrupção social, nada o detém,
é a sociedade a crescer, a constituir-se e a habitar-te, a anular
a vontade que possas ter de desprenderes-te de ti. esquece
os anjos, o auxílio deles. a tua salvação é o desprendimento,
não há outro modo de livrares-te da sujeição que te faz
o sujeito que és. apenas o desacoplamento de ti, a separação
da carne domesticada, soltar-te-á. o corte não é psicológico,
é ontológico. sofres por ser instância da instância
que te estabeleceu, instância sem nome ou autor, sem centro,
sofres anestesiado. és-me, sou-te, assim, precisamente assim,
ao mesmo tempo, porque o predicado e o tempo são comuns.
um de nós tem de morrer para morrermos ambos. s. d’o.

referência

29.3.10




o corpo é uma saída precária, algo parecido com o fim
que começa e desaba imediatamente após um segredo
que se aprende: quando nos aproximamos das fronteiras,
vemos melhor a ficção que nos separa e une. s. d’o.

referência

19.3.10




this is your captain speaking, your captain
is death
. houve um tempo em que ouvíamos
isto e imaginávamos a maionese a falar
dentro do boião, a comandar o mundo. falava
em inglês, obviamente. s. d’o.

referência

17.3.10


amor

números e mais ninguém, matei para ser proprietário
desta frase. s. d’o.

referência

15.3.10




está frio, mais frio do que costuma estar, é o segundo
embate do inverno. o que nos une?, une-nos o facto
de dormirmos em camas separadas, cada qual na sua.
não é um amor sem cama, é um amor com duas camas,
unidade maior. s. d’o.

referência

5.3.10




mais do que palavras, o silêncio. não sou capaz
de dizer-te quão guardo o nosso beijo de ontem,
o último, no teu carro. não sei porquê. s. d’o.

referência

3.3.10


acontecimento

a vida é muitas vezes a mesma impotência, o gesto
detido, o riso adiantado, ricorso. diante da morte
é muito o que pode acontecer e ser força. s. d’o.

referência

1.3.10


a mancha

se tudo, por vislumbrar quase ou nada. poema
ou poeta?, não se sabe, não é para saber-se,
embora um e outro sejam tais nomes. a página
estava em branco, agora já não está. é um facto
simples, semelhante a tantos outros, é simplesmente
um facto. s. d’o.

referência

2004/2017 - serôdio d’o. & 3ás (escritos e subscritos por © sérgio faria).