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almanaque de ironias menores

caderno de exercícios avulsos e breves, por serôdio d’o. & 3ás 

31.7.04


cinemarginalia (the misfits, suite em tríptico)

o jogo. o mundo pertence a uma mulher, qualquer que seja o trunfo, pois é dela que nascem os jogadores. rien ne vas plus. 3.

referência

30.7.04

 
infância

há um porão no tempo onde
se guardam as arestas da
oportunidade inocente, como se
fossem um lugar de sempre. s. d’o.

referência

29.7.04

 
cinemarginalia

chamem a polícia. há dramas-noir, como touch of evil, de orson welles, em que são os próprios detectives, o good cop (que consegue amar) e o bad cop (que oscila entre a amoralidade e a imoralidade), que brincam o jogo dos polícias e ladrões. 3.

referência

28.7.04


abrir a diferença

há uma raiva erguida no silêncio
que acontece limpa quando
o tempo esgota o exílio
e são convocados os gestos
que a liberdade confirma
urgentes. s. d’o.

referência

27.7.04

 
a paleta cósmica. quantas são as cores? dos sete anéis, á, bê, cê, dê, é, éfe e guê, que enfeitiçam saturno. 3.

referência

26.7.04

 
na orla oceânica

este lugar é talvez uma ilusão. o azul
que reflecte é demasiado aceso, mas sem
a fluorescência prenha que o faria
não existir aqui, à margem.
é um lugar balancé, agitado, de contornos
incertos, que se joga, que toca e foge, entre
o limite e o exílio de si mesmo. as mãos
não o seguram, apenas o cortam, sem ferida,
quando o tocam. s. d’o.

referência

24.7.04

 
cinemarginalia

death can dance. em det sjunde inseglet, de ingmar bergman, a morte dança, embalada por um friso melódico que uma orquestra, a vida, lhe toca para os passos exactos. 3.

referência

23.7.04

 
obituário suite, carlos paredes. começou hoje o movimento perpétuo do silêncio. contra ele, soam os verdes anos a tr(e)inar na memória. 3.

referência


 
mesmidade

se o sangue refulgisse nas sombras
a verdade? e não a festa. suportar-se-ia
o mundo na mesma exacta proporção,
no contraste que o costume convence
a permanecer nas mãos. e os burocratas
cantariam semelhante ofício, desenhando
o mesmo mundo novo que conhecem
e não inventaram. s. d’o.

referência

22.7.04

 
cinemarginalia
 
sombra. diz-me qual é a tua sombra e dizer-te-ei quanto bem e quanto mal podes suportar em ti, no teu nome e nos teus gestos. 3.

referência

21.7.04

 
variações ligeiras sobre sombras e outros demónios, x. o vazio é um contentor, é um continente de mãos abertas. s. d’o.

referência


 
variações ligeiras sobre sombras e outros demónios, ix. o crepúsculo conforma-se quando se dissipa e disciplina o contorno do futuro que o anúncio da noite transporta. s. d’o.

referência

20.7.04

 
cinemarginalia

the devil is a woman. rita hayworth é diferente das outras mulheres, na sua inexistência, porque tem emprestado o corpo de gilda. 3.

referência

19.7.04

 
ignorância(s)

não sabia da terra áspera
a dor que nela nasceu.
não sabia do conforto da paisagem
o lugar com deus morto.
não sabia do medo
o que alcançam os gestos vingados.
não sabia da fronteira
o traço que une e sangra a inquietude.
não sabia do zodíaco
o signo da pátria e da loucura.
não sabia da fome domesticada
a vontade de segurar a força.
não sabia dos lábios
o silêncio ou a solidão.
não sabia do corpo
o perfume do sangue cálido.
não sabia dos filmes de kassowitz
o título original, sequer sabia os filmes.
não sabia da cidade
o tom da noite ou a vergonha da aurora.
não sabia dos ventos
a espessura do sofrimento que cortam.
não sabia de orgy in rythm
o ritmo ou a melodia.
não sabia da vida
os segredos que o mar murmura.
não sabia da aritmética
o mapa para o êxito.
não sabia do gin tónico
o sossego e a sede.
não sabia de my cousin in milwaukee
o paradeiro ou o domicílio.
não sabia de saturno
os anéis.
não sabia de reservoir dogs, bound, fargo ou u-turn
o enredo e as alegorias.
não sabia de thomas mann ou robert musil
a existência ou a literatura.
não sabia das coisas
o peso ou a forma.
não sabia de si
o nome, a mulher que se sentou sob a sombra da fúria. s. d'o.

referência

17.7.04

 
cinemarginalia

the ground beneath her feet. gilda é o ícone que incendeia o chão, mais, muito mais do que elsa bannister, the lady from shanghai. 3.

referência

16.7.04


sem engano
 
sol, a vida ressoa na praça. suspira
a rapariga. vai-lhe o amor do
regaço para a esplanada, onde
os outros já riem dela. e ela,
destroçada, lacrimosa, dorida,
ainda sorri, antes de partir
sem engano. s. d'o.

referência

15.7.04


cinemarginalia

only angels have wings. por que é que lola lola, der blaue engel, não é azul?, se é anjo. 3.

referência

14.7.04


uma forma de ausência

havia-lhe um alheamento no olhar, embora
preservasse o brilho. já não discutia a hipótese
de interromper a eternidade e afirmar a glória
como a ausência de si mesma. e já não lhe eram
suficientes as naturezas e os infinitos que contêm.

a órbita da inquietude deixara de a iludir, a
vida deixou de lhe parecer arrumada como um
jogo. e, sentida, disse a parcela de nostalgia que não
se distingue do exílio, da fronteira da fuga, do lamento, da
vontade, sou eu, eu que não sou imortal e me confesso ao mar
e aos frutos, antes de adormecer e tornar a ser
a solidão que se preenche de um excesso de
auto-presença. s. d'o.

referência

13.7.04


f(e)rida. a generalidade dos auto-retratos de frida kahlo disfarçam a ferida que, por a atravessar desde a adolescência, a partia por dentro. um desses auto-retratos, la columna quebrada, porém, disfarça essa ferida de outro modo. denunciando-a, mas mostrando uma dor que nunca lhe tocou a beleza. 3.

referência



o casino suite, cena iv. a superstição haveria de lhe valer o jackpot. não obstante a insistência, não valeu. amanhã, por vingança, ele apostará noutra slot machine. mas a vingança significa uma expectativa de fortuna, fortuna que, aposta após aposta, vingança após vingança, nunca lhe aconteceu, nunca lhe acontece. 3.

referência



o casino suite, cena iii. recolheu as cartas, guardou-as na mão, segurando, secreto, um royal flush. 3.

referência

12.7.04


ser para o pecado

derrama-se, como a vida a prometeu,
sobre deus, entregando-se para ser de
nenhum homem. e é cautelosa na
confidência ao tempo. sabe-o longínquo,
indulgente e sem reservas. é por isso que
foge dele, do tempo. para se sentir mais
exacta no pecado de ser livre. s. d'o.

referência

10.7.04


she done him wrong. a mulher, depois de se insinuar demoradamente pela sala, aproximou-se dele e perguntou is that a gun in your pocket? or are you just glad to see me? imperturbável, ele levou o copo ao lábios, olhou-a ostensivamente e não lhe respondeu. a lady lou é outra personagem, pensou ele, no instante. ela, sugerindo-se assim, voluptuosamente, ter-me-ia perguntado why don’t you come up sometime 'n see me?, continuou ele em raciocínios. por um único motivo e juízo, when women go wrong, men go right after them. ele, pelo menos, por si, iria. 3.

referência

9.7.04


exercícios de estilo em allegro e encontro, v
a denúncia do demónio mecânico, por huxley

a sua voz tomou o tom de libelo, pronunciado. a
máquina é a conquista, o suplemento que extende
o alcance dos gestos, a transcendência. porém,
acrescentou ele, a máquina, onde o juízo vacila,
não é inocente. é por isso que, tendo oportunidade,
se vinga, indo para além da ameaça, travestindo
a necessidade em ofício, transformando o espírito
em obediência. o silêncio do auditório revelava
mais inconsciência do que assentimento às
suas palavras. ele pressentiu isso mesmo quando
rematou a prelecção, tenho dito. então, súbito,
huxley arrumou os papéis e correu para casa,
tentando evitar a civilânica do conforto. s. d'o.

referência

8.7.04


o casino suite, cena ii. ele anunciou a aposta, tomou os dados, agitou-os na mão, lançou-os sobre a mesa. alea jacta est. qual foi a sua sorte?, foi azar. 3.

referência



o casino suite, cena i. faites vos jeux, disse o croupier. rien ne vas plus, sentenciou, derradeiro. a roleta rodou. qual foi a sorte? 3.

referência

7.7.04


exercícios de estilo em allegro e encontro, iv
feitos e defeitos do velho marinheiro, que coleridge contou

foi a fome, respondeu o velho marinheiro
a quem lhe perguntara por qual motivo
havia ele, com um flecha, trespassado
o albatroz dos bons augúrios. pois morta
a ave, que era uma obra e um sinal de deus, mataste
o motor do vento. tormentas, agora, se avizinham.
e tenebroso será o casamento entre o mar e o céu,
para chorar o derramado sangue do que era
uma obra e um sinal de deus, protestou o
piloto, aturdido como a demais tripulação
da barca, entre a razão e o temor. s. d’o.

referência

6.7.04


vertigo. a alice nunca foi a oz. a alice nunca foi à terra do nunca. a alice esconde-se do outro lado do espelho e quer fugir. a alice é uma rapariga que não existe sem medo. porém, a alice não chora. 3.

referência

5.7.04


exercícios de estilo em allegro e encontro, iii
o mundo é inteiro, disse calvino

quanto maior seja o universo mais provável
é a hipótese que não seja universo, mas
universos. e o plural, porque labiríntico,
como os desertos, é uma outra forma de
infinito dentro do infinito, sentenciou calvino,
enquanto olhava o céu e apontava, uma
após outra, todas, as estrelas de andrómeda,
repetindo incessantemente o gesto, depois
de as esgotar. s. d’o.

referência

3.7.04


seven. o sétimo pecado, se fosse selo, seria ainda mais mortal. 3.

referência

2.7.04

 
obituário suite, sophia de mello breyner andresen. calou-se hoje, para o que resta de sempre, sophia, a voz de onde se ouvia o mar, de onde se via a madrugada. permanece, porém, o seu eco, a força que reconstitui o som do mar, a serenidade não calada que recupera e devolve celebrada a imagem da madrugada. 3.

referência



exercícios de estilo em allegro e encontro, ii
a mão de borges

há o verdadeiro. há o falso... borges suspendeu
a oração neste instante. continuou a
olhar para a mão e acrescentou mas os
outros três dedos não são desperdício. são
dedos, dedos que, no seu conjunto, desenham uma
estrela. e mostrou a mão, aberta, aos que o
ouviam. s. d’o.

referência

1.7.04


a aproximação de cassini-huygens à casa dos anéis. saturno fulguriza pela forma como que se prenuncia no horizonte, como se desenha destino, como se deixa aproximar. entre os planetas mais próximos, saturno é de outra atracção, tem outra entoação na humanidade, esconde outra gravitas. e é, agora, o rendez-vous, o encontro que começa a alcançar-se com a mão, sem o espectro auxiliar da imaginação. 3.

referência

2004/2017 - serôdio d’o. & 3ás (escritos e subscritos por © sérgio faria).