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almanaque de ironias menores

caderno de exercícios avulsos e breves, por serôdio d’o. & 3ás 

31.12.04


amorto

e do começo do que cai
extrai-se a certidão do corpo,
para o lançar na vala da
sinfonia dos salmos ou das
vésperas. s. d’o.

referência

30.12.04


os passos e as coisas de todos os dias. há momentos em que se alcança um limiar, não um limite, para além do qual as coisas são inomináveis e, portanto, indizíveis. alcançado esse limiar são várias as hipóteses. voltar para trás, para a província onde as coisas se dizem. parar nesse limiar, como um peregrino eterno da mesma fronteira, que é nenhum lugar. avançar, em silêncio, para iludir a indicibilidade das coisas. avançar, aos gritos, para dizer que se é maior do que as coisas e se dispensa dizê-las. avançar, começar a apontar o dedo às coisas e atribuir-lhes um rótulo ou um preço, como fazem os batedores do que já não é insondável. ou desenhar o mapa de todos os nomes disponíveis e legendar casualmente as coisas. 3.

referência

29.12.04


guerramor

e se o amor é um combate, que
te faças guerreiro, sem jamais
te renderes a quem ainda não
te ama. s. d’o.

referência

28.12.04


wave of mutilation. o grande ausente visto, deus, revela-se, aproximando-se à hipótese de ser, sempre ausente. pelo que é apenas na ilusão que difere do inexistente. 3.

referência

27.12.04


o anjo da guarda de si

segura o fruto, que colheu, na mão
esquerda, a mão da verdadeira aliança e
antes estendida a deus, deus que já
não é ou está na mão dele. olha o fruto
demoradamente, enquanto agita as
asas. inebria-se com o perfume que exala
da carne do fruto. e entra nele a primeira
de todas as dúvidas. saborear ou não
saborear o sangue da maçã? s. d’o.

referência

25.12.04


limite. existe na loucura um prenúncio, chamado consciência, que jamais permite fingir a própria identidade. 3.

referência

24.12.04


aprender

a amar como se não fosse engano
ou embriaguês. s. d’o.

referência

23.12.04


nouvelle époque. a modernidade foi inaugurada no instante em que o mundo começou a crescer ao contrário, para dentro. e foi essa inversão que gerou a chamada nova complexidade do mundo. 3.

referência

22.12.04


vontade

de perder a imagem tatuada no corpo, como
se fosse, tivesse sido, apenas um olhar,
permanecendo com os olhos abertos, a olhar
para o futuro, para ti, quem eu ainda não
conheço. s. d’o.

referência

21.12.04


da faculdade do juízo. o desgosto, porque nele tudo é equivalente e concebido como solidário nessa equivalência, não admite preferências. é por isso que, enquanto falta que é, não corresponde a uma dor. e é, mais do que outra orientação, desorientação. 3.

referência

20.12.04


por quem estas mãos morrem

o que te impele a ser o remoto
corpo?, se quantos convites
negas para ser próxima de mim
e em mim. não!, não fales do

amor, não fales da aliança entre
o conforto e a hipótese do que
não prometeste, porque cessa
o grito que te transborda. sim, sei

que é na vontade que te revelas.
mas não mais serás quem foste, nessa
distância em que te guardas. serás
ainda tu. e na tua humanidade
permanecerão as impressões
digitais. porém já desvanece a

memória que te traça da inocência,
como se fosses um corpo oficinal. por
isso, o que fazes é cumprires-te longe,
distante, fazendo as minhas mãos
inefáveis de ti e mortas. s. d’o.

referência

18.12.04


a órbita das carícias. dione, lua feita de cristal chamado gelo, deu-se cativa a saturno, a quem rendeu a sua órbita, para mais próximo de si, da casa dos anéis, poder passear. 3.

referência

17.12.04


se deus é também cronómetro

a tua eternidade está a acabar, disse a deus,
olhando-o nos olhos, ousado, não insolente,
aquele a quem chamavam o filho do
carpinteiro. deus olhou-o também, embora
com paternal desdém. e disse pobre e
engrato és, filho meu; mas sabe que me
diz uma voz dentro de mim, que é voz
minha, que serei eterno nesta seiva
de raiva e que não se calará tal voz se
me acabares o tempo, tempo que
também sou, por tudo eu ser. s. d’o.

referência

16.12.04


cinemarginalia (suite de variações sobre 2046)

escrever a tristeza. o fim triste de uma estória não pode ser mudado porque é assim o fim da estória que foi escrita e o seu autor, para além de ser autor, tem direitos. 3.

referência

15.12.04


quando tarda a ressurreição

e se, depois do lamento,
subsistir a morte?, subsistir a
morte presente?, em quem acreditar? s. d’o.

referência

14.12.04


cinemarginalia (suite de variações sobre 2046)

slow (e)motion. segundo a narrativa ensaiada pelo mr. chow, em doismilequarentaesete há máquinas-mulher que choram em diferido, depois da dor do amor que continua a não lhes regressar. 3.

referência

13.12.04


composição, ii

do que o respeito mais envolve, a trama
faz o bairro, bairro iluminado por
archotes e noite.
e é talvez esse o lugar onde a metamorfose
faz a contrição do nascimento, acto que
permite a negociação da origem e
ultrapassar qualquer divindade ou
ignorância. s. d’o.

referência

11.12.04


cinemarginalia (suite de variações sobre 2046)

back to the future. vai-se ao futuro, a doismilequarentaeseis, vai-se ao futuro, na cápsula-comboio que faz assegura o acesso a esse destino, para se consolidar a memória, porquanto no futuro o que foi presente antes já foi e é então recordação. 3.

referência

10.12.04


composição, i

bateste-te contra o ar, tentando
fazê-lo vermelho, ferida. ao mesmo
tempo cresceu-me o corpo liminar, que
falece ao ritmo ritual de

cada manhã.
deixei de merecer a facilidade e
a agência, sinto a falirem os
temores que os actos me
acrescentavam para além de si.

ao mesmo tempo que me cresceu
o corpo liminar, cresci para a
morte. cresci narrado pelo tempo,
contra o mundo e no mundo, por

mundo, tanto mundo, ser em mim.
e tu?, quem és tu?, que te bateste
contra o ar, tentado fazê-lo vermelho,
ferida. s. d’o.

referência

9.12.04


encontro de ti. se queres encontrar-te, procura um espelho e enfrenta-o. é nesse gesto, acto de identidade, que estás. não no reflexo que o espelho prende perde de ti. 3.

referência

8.12.04


variações ligeiras sobre sombras e outros demónios, xxix. em que é que há mais virtude?, na paciência? ou na persistência? s. d’o.

referência



variações ligeiras sobre sombras e outros demónios, xxviii. o que tem a morte de atractivo?, se é para ela que inexoravelmente todos, vivos, tendem. s. d’o.

referência

7.12.04


rec(h)eios. o catecismo da imaginação intrépida tem uma página apenas. nela está escrito, perscruta os teus medos para te conheceres. revelando os teus monstros, os teus demónios, revelar-te-ás. a ti. e para ti. 3.

referência

6.12.04


o homem que não sabia (amar)

ele aprendeu a diluir os gestos
com precisão, até que não fossem
mais do que isso, gestos preenchidos
apenas de acto, nus, sem alcance
ou expressão significativa, carne
sem face, somente geometria, forma
e não conteúdo. s. d’o.

referência

4.12.04


família. é a sequência, ela antes e ele depois, o que, na demiurgia de todos os dias, faz o divino sol ser irmão da divina aurora. 3.

referência

3.12.04


variações ligeiras sobre sombras e outros demónios, xxvii. a solidão só é um estado tormentoso quanto alguém se devolve a si mesmo em proporção insuficiente. s. d’o.

referência

2.12.04


da morte do divino. a dois de dezembro de mil oitocentos e catorze, no sanatório de charenton, pereceu donathien alphonse françois de sade, marquês de sade, aquele a quem a alma foi muito para além dos costumes e das sombras, sem o testemunho divino da liberdade que carregou e fez. pois deus não existe para ser testemunha do pecado de se ser solto. 3.

referência

1.12.04


verdade condicional

considerando todos os teus horizontes,
considerando todas as tuas heranças,
considerando todas as tuas cores,
considerando todos os teus lutos,

considerando todas as tuas lutas,
considerando todos os teus consensos,
considerando todas as tuas luzes,
considerando todos os teus concertos,

considerando todas as tuas fomes,
considerando todas as tuas paixões,
considerando todos os teus sossegos,
considerando todos os teus abandonos,

considerando todas as tuas manhãs,
considerando todas as tuas refeições,
considerando todos os teus nadas,
considerando todos os teus tudos,
considerando todos os teus reféns,

considerando todos quem és,
considerando todas as tuas crenças
considerando a tua canção,
considerando todos os teus mundos,
considerando todos os teus medos,
considerando os teus degredos,
considerando todos os teus segredos,

considerando toda a tua melodia,
considerando todo o teu corpo,
considerando-te a ti,
mais se me fez o tempo.

considerando que me consideras,
considerando o que me consideras,
considerando,
considerando o teu mistério,
considerando a tua vontade,
considerando todas as tuas mãos,
considerando o teu corpo, pousado,
considerando a tua missão,
considerando mais ninguém,
serei o último que considera
em ti a verdade que a
verdade te tem. s. d’o.

referência

2004/2017 - serôdio d’o. & 3ás (escritos e subscritos por © sérgio faria).