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almanaque de ironias menores

caderno de exercícios avulsos e breves, por serôdio d’o. & 3ás 

30.4.04


perdidos e achados. não é feito extraordinário encontrar deus depois de o haver descoberto. feito, sim, seria perdê-lo. 3.

referência



tudo sobre a verdadeira estória de deus. deus, como foi concebido – também sem pecado, apenas pela imaginação fulgurante do obscurantismo humano –, não existe. não morreu sequer, pela simples evidência de que nunca foi parido ou nascido assim, como nós, mamíferas criaturas que alguns julgam criadas do seu, dele, engenho. a verdade, porém, é que somos filhos de nós mesmos, uma espécie de órfãos sedentos de ter outro pai. chamamos-lhe deus por acaso. s. d’o.

referência

29.4.04


isto. o que é isto?, perguntou ele. nada, respondeu heidegger. s. d'o.

referência

28.4.04


quiz. citei-lhe bernardo soares. "o homem superior difere do homem inferior, e dos animais irmãos deste, pela simples qualidade da ironia. a ironia é o primeiro indício de que a consciência se tornou consciente. a ironia atravessa dois estádios: o estádio marcado por sócrates, quando disse «sei só que nada sei», e o estádio marcado por sanches, quando disse «nem sei se nada sei»." ela, então, perguntou-me, e depois do «só sei que nada sei» e do reforço «nem sei se nada sei»?, o que é que vem a seguir? respondi-lhe, não sei o que, na ironia, se segue. porém, arrisco. para uns segue-se o que jamais deixou de seguir, «seja o que deus quiser». para outros, menos crédulos, mais cínicos ou iconoclastas – isto é, aproximadamente irónicos –, segue-se «vamos lá, então, (re)inventar qualquer coisa, para nos entretermos com o engano». mas isto, claro, são meras conjecturas. pelo que o melhor, mesmo, talvez seja não inventar. e viver o suficiente desassossego da vida inquieta. 3.

referência

25.4.04


liberdade. escreveu montaigne num dos seus essais, este sobre a fisionomia, “a verdadeira liberdade é poder toda a coisa sobre si. potentissimus est qui se habet in potestare”. 3.

referência

24.4.04


palavra de ordenike. when evolution becomes revolution, just do it. s. d'o.

referência

23.4.04


a cor dos gatos. crna macka, beli macor, realizado por emir kusturica, reporta a orgia da vida como ela surge mais improvável ou impossível. é provavelmente isso que faz desse fulgurante ensaio cinematográfico uma espécie de denúncia da realidade como ela é. não apenas balcânica. 3.

referência

21.4.04


biomorfias. andré franquin foi provavelmente um dos maiores criadores de bonecos do século vinte. o bestiário, a galeria de personagens – o marsupilami, les monstres ou les doodles – que criou, sugerem uma outra natureza, uma zoologia pós-diluviana muito distinta da do inventário de criaturas recenseadas por noé. a estranheza é tal que, por ela, sobressalta-nos a vontade de ter uma daquelas perigosas criaturas como animal de estimação. 3.

referência

20.4.04


écran da dúvida. a televisão mostra mais do que esconde? ou esconde mais do que mostra? em caso de persistência da dúvida, é aconselhável a compra de um aquário com um rumble fish, tipo beta azulão. não há melhor programa. não há melhor entretenimento. s. d’o.

referência

19.4.04


lugar do (des)encontro. escreveu proust, algures nesse oceano romanesco com a forma do tempo chamado à la recherche du temps perdu, “é humano procurarmos a dor e logo depois livrarmo-nos dela”. e é assim por um motivo sem prosa. o lugar da dor é uma forma de ausência que, por doer, suscita o seu próprio abandono. é por isso que a dor nos faz sair de nós mesmos, como se fosse uma fuga. 3.

referência

18.4.04


sem inocência, sem pecado. um cadáver não é uma peça inocente. por isso se disseca, se revolve. e, com ele, se faz ciência. s. d’o.

referência



morte escassa. avançada a intriga em of human bondage, de somerset maugham, uma personagem diz, “os cadáveres são agora escassos. temos de distribuir uma peça para dois”. isto, a partilha, não é solidariedade. é necessidade. 3.

referência

17.4.04


é um outro mundo possível?. se o real é apenas uma hipótese entre outras possíveis, o horizonte do possível é mais lato do que o horizonte do real. ou seja, o possível não se esgota no provável, menos ainda no mais provável. ora, é esse hiato entre as hipóteses que confere oportunidades e justifica o exercício da crítica. s. d’o.

referência

16.4.04


fulgor. mão morta, nus. o som, o complexo da música e das palavras, dispensa temporariamente outras experiências. no instante, este, quaisquer que sejam elas, as outras experiências, parecem menores. porque o som dos mão morta é uma das poucas formas de fulgor concentrado, de contaminação emancipadora. 3.

referência

15.4.04


dos possíveis. a pluralidade do possível é inexorável, no sentido em que, em derradeira oportunidade, existe sempre outra hipótese, a da ausência ou da negação. o que significa que o impossível não existe. o que existe são, sim, possíveis. s. d’o.

referência

14.4.04


vertigem. the end of the affair, de graham greene, começa assim, “uma história não tem princípio ou fim”. de facto, uma história é invariavelmente um ensaio de vida e tempo, na forma e no modo do tempo, o que faz dela uma extensão discursiva, ordenada em analepses ou em prolepses. uma história é um precipício, um balancé encenado contra os limites da gravidade. não há outros. por isso, lá, na história, numa qualquer história, reencontra-se um enredo, um roteiro que podia ser o condutor da vida. da vida de qualquer um de nós. 3.

referência

13.4.04


verbo. o verbo é a instância a partir da qual irradia o acto. qual seja ele pouco releva. será em narrativa ou discurso que o verbo se enuncia, pois é assim que ele, verbo, se revela e acontece. umas vezes como aconteceu, outras como acontecer. s. d'o.

referência

12.4.04


contra o horizonte. no final de ghost dog: the way of the samurai, de jim jarmusch, uma das personagens, pearline, diz, lendo um livro, o fim é importante em todas as coisas. assim é também o princípio. por uma entre tantas outras razões. sem princípio não há fim. s. d'o. e 3.

referência

2004/2017 - serôdio d’o. & 3ás (escritos e subscritos por © sérgio faria).