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almanaque de ironias menores

caderno de exercícios avulsos e breves, por serôdio d’o. & 3ás 

25.6.10


as mãos dadas antes do mercado de borough

quatro caminhos, sete sombras. aqui, em london,
mais passos, a justiça de fugir, o risco de continuar,
o esquecimento das sementes, a intimidade aliviada
de morar lá, do fim.

é este instante que estou a recordar, um dia é demais
para gravar, é inteiro e coisas inteiras suporto cada vez menos.
os cheiros, o que dizem à nossa volta, não é teatro, é autêntico.
sábado de manhã, é sábado de manhã, há já tanto tempo
que não tinha um sábado de manhã ou uma semana
à inglesa. logo haveremos de voar. s. d’o.

referência

23.6.10


história com electricidade ao fundo

não conheço todas as escalas e as medidas padrão
que as acompanham. quero apenas declarar o óbvio
e o resto que confirma o óbvio, senti-me baixo
e pequeno diante da chaminé da tate modern, da cor
suja que ela ergue, outrora corpo de outra função,
a bankside power station, e senti o desejo de repetir
tal sensação. provavelmente porque próximo, no the table,
haveríamos de sentar-nos pela segunda vez, eu esperei,
para um pequeno almoço à inglesa, o modo de elevar-me
na circunstância. pequeno, porém acompanhado, eu,
eu e tu, eu, tu e ele, nós, uma tranquilidade estranha. s. d’o.

referência

21.6.10


passámos em frente ao old vic e estava a chover

terça-feira, parecíamos a família que não somos por sermos,
ninguém diria que éramos estranhos à passagem, ao lugar
que nos levantava os passos. depois de beber uma black sheep
ale
, sinto, posso morrer. aconteceu na waterstone’s
de piccadilly. porque chovia, os elementos são mesmo assim,
no regresso o caminho estava molhado.

o topo do mundo, chegam apelos daí, não caminho para destinos
que desconheço. deixo os sapatos à porta e entro. tornei
a esquecer-me de pedir licença. mesmo se a casa é minha,
haveria de sentir a urgência de rogar o privilégio de entrar.
a quem?, a alguém, pouco importa quem.

e vêm as gerações novas - o que é uma geração? -, vêm
as gerações novas com vontade de mudar o mundo, vencer
a realidade. debalde. a vontade que comungam é fraca,
pelo menos não é mais forte do que a crença de que é possível
interromper a fatalidade.

eu sei lá, a morte, o subprime. julgo que podemos morrer
só de olhar, morrer, sim, morrer, mas não agora. devemos
manter as coisas simples, usar cotonetes em mp3 ou m4a.

nessa direcção, que caminho? não é para aí que quero ir. fomos
para o british film institute, em southbank, o nosso abrigo.
deitámo-nos para ver um filme sobre trovoadas, putos a jogar
à bola, a bola em chamas, numa das balizas havia uma tela
improvisada, haveria de arder a tela, um lençol. a realizadora
era filipina ou indonésia. não vamos ficar para ver bronco bullfrog,
agora em cópia digital restaurada, no dia em que esse filme entrar
no circuito de salas de cinema já não vamos estar cá.

o tempo muda, mudam os tempos, persistem as vontades, agora
desactualizadas. depois de outubro, toda a minha vida é depois
desse mês. passámos em frente ao old vic e estava a chover. s. d’o.

referência

11.6.10


quebrar em caso de emergência

nenhum de nós é lugar ou paragem após o outro.
passo, não passamos. agora a dúvida é ultramoderna,
oscila entre o lcd e o led. é mais do que tempo de esquecerem
o plasma
, dizem-nos. rimos, nunca desejámos o plasma,
a recomendação não é extemporânea, é estúpida. é verdade,
algumas vezes discutimos polegadas, quantas?, mas não discutimos
condições de compra ou o leasing. a propósito, a minha mãe não sabe
o que significa leasing, ela é dos tempos simples e avisados,
de quando o pronto pagamento era melhor do que o pagamento
a prestações. o que mudou desde então? agora, às vezes,
ficamos à espera da ambulância do inem e fingimos
que é como nos filmes de acção. s. d’o.

referência

9.6.10




às vezes vivo na minha cabeça e acredito
que há uma cidade em meu torno, uma cidade
à volta de um rapaz sozinho. o que faço?, não saio
da solidão para encontrar-me cidadão da realidade,
até porque a realidade, esta, inclusive a minha,
prescinde de indivíduos como eu, como a cidade
que habito na minha cabeça prescinde de mim. s. d’o.

referência

7.6.10


ritual

nos poemas modernos usam-se as palavras pacemaker
e taberna, palavras que combinam mal com a expressão
operação páscoa dois mil e dez. o que mudou?, quase nada.
as raparigas continuam a levar os namorados ao baile
de finalistas mas nas escolas não gostam que os rapazes
levem os namorados. afinal o mundo ainda não pode acabar.
e acabar para quê? dizem que o fim do universo acontecerá
quando houver dois starbucks na mesma rua, um frente
ao outro. já há e aqui estamos, a termos a hipótese
de escolher o mesmo por diferenças que não nos consolam
mais do que nos consomem. s. d’o.

referência

2004/2017 - serôdio d’o. & 3ás (escritos e subscritos por © sérgio faria).